terça-feira, 10 de maio de 2011

Guerra nas Estrelas Star Wars Kendo Samurais e Esoterismo



Star Wars: As influencias das Artes Marciais, do Zen e da Filosofia Esotérica na Ficção Cientifica criada por George Lucas.

Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência!



Que a força... quer dizer que o Ki esteja com Vocês!
Desde que o primeiro filme da saga Star Wars lançado no final dos anos 70 no século vinte, as pessoas ficaram maravilhadas com conceitos como “Força”, “Cavaleiros Jedi” e “Lordes Sith”.
Em primeiro lugar a saga Star Wars foi criada baseada em diversas mitologias e filosofias tanto orientais quanto do ocidente, o famoso Joseph Campbell autor do Poder do Mito foi um entusiasta ativo e fez varias citações de Star Wars em sua famosa entrevista com Bill Moyers (a TV Cultura possui um documentário excelente chamado O Poder do Mito com esta entrevista na integra). George Lucas utilizou como base em suas pesquisas para criar o filme o trabalho de Campbell que abrangia diversos aspectos de culturas diferentes convergindo para um mito do guerreiro em comum.
Outra influencia no trabalho de Lucas era a filmografia de Akira Kurosawa, considerado por Lucas seu mentor e mestre de Cinema, George Lucas e Spielberg financiaram alguns filmes para o mestre do cinema japonês na realização de Sonhos, Ran e outros filmes, é interessante a relação das cenas entre “Star Wars uma nova Esperança” e  o filme A fortaleza Escondida de Akira Kurosawa. Lucas admitiu ter se inspirado neste conto do diretor para seu primeiro filme da Saga, os personagens R2 D2 e C3PO foram nitidamente inspirados em dois camponeses trapalhões que tem de ajudar uma princesa a expulsar o exercito imperial invasor de suas terras, Toshiro Mifune faz o papel do mestre Samurai exilado, um general e grande guerreiro (a figura de Obiwan Kenobi).
Os filmes Os Sete Samurais, Yojjinbo e Sanjuro inspiraram cenas como a da cantina onde Obiwan decepa a mão de um ET criminoso que tem uma rusga com Luke.
O personagem de Han solo é nitidamente inspirado no Ronin errante Yojinbo.
A Ordem dos Cavaleiros Jedi tem elementos em sua formação do Bushido o código do Guerreiro Samurai, do Taoísmo, a antiga religião que prega a harmonia entre o Cosmos e a Terra na China, a disciplina dos monges guerreiros Sohei ou Shaolin, a destreza no uso do sabre de Luz e suas técnicas são oriundas do Kendo, Taichi e Wushu


O termo Jedi foi tirado da expressão Jidai Geki, usada para designar os dramas nipônicos que envolvem os samurais e são ambientados no Japão feudal.


No primeiro Filme da serie foram utilizados dubles que lutavam Kendo Esportivo nas cenas de duelo com Darth Vader e Obiwan ou nas cenas dos primeiros treinamentos de Luke abordo da Milenium Falcon, os atores treinaram as técnicas básicas como Kote, Do, Tsuki Yoko Men e Shomen.



Só para ilustrar este ponto, veja acima um vídeo feito por fans de Star Wars em um campeonato de Kendo

No segundo filme da serie O império Contra Ataca, vemos a inclusão de mestre Yoda (um ser místico transcendental, humilde e que vive a 800 anos) Yoda é nitidamente inspirado nos Mestres Taoístas, conhecedores dos segredos do Ki ou Chi (Força no filme), outro alinhamento de Yoda é com um Espírito de outra Dimensão cultuado em determinados ritos Maçonicos justamente chamado de “Yoda” com aparência de um Gnomo Verde.




  As coreografias de lutas no império contra Ataca e em Retorno de Jedi ainda estão bem pautadas no Kendo e nos movimentos de espada medievais dos Cavaleiros Templários.


Duelo entre Vader e Luke Imperio Contra Ataca




Duelo Entre Luke e Vader Retorno de Jedi



Luke tem um rigoroso treinamento espiritual e mental no planeta Dagoba, uma das cenas mais intrigantes do filme é O duelo dentro da Arvore do bem e do Mal, uma alusão a Kabala com a Arvore da Vida e a Arvore do Conhecimento, Luke pergunta a mestre Yoda “O que vou encontrar lá? A resposta de mestre Yoda “Somente o que levar consigo”... O resultado é que o medo de Luke faz ele materializar seus piores pesadelos (Darth Vader) após Luke enfrentá-lo em um local cheio de trevas (umbral) ao cortar-lhe a cabeça, Luke vê sua própria Face dentro da Mascara de Combate de Vader.


O Visual da armadura de Darth Vader é nitidamente inspirado nos Yoroi Kachu do período Sengoku Jidai.



Voltando a Mestre Yoda e Obiwan, ambos ao serem mortos alcançam o estado de Jinas, o corpo Búdico perfeito ou corpo de Ressurreição, uma vida eterna na força, onde não necessitam mais de seus corpos físicos, porém não são meros fantasmas, são Mestres Ressurretos, isso seria a mais alta realização dos Jedi, o Budismo Esotérico Japonês, Chinês e Tibetano assim como o Cristianismo Gnóstico e o Taoísmo estão repletos de narrativas de tais mestres superiores, Avatares da humanidade que através de uma vida ascética e de purificação espiritual atingem a libertação (mokusha) do mundo físico dos sofrimentos, da sansara a roda do destino. Em um dialogo bem interessante do Capitulo A vingança dos Sith, Yoda fala a Obiwan para que ele vá para o sistema Tatooine (planeta de Luke) onde ele deveria estudar o mais profundo conhecimento Jedi e que um mestre o tinha alcançado e lá o estaria esperando, este mestre seria Qui Gon Jin, repare o nome do mestre da a pronuncia da Arte Marcial Chinesa para o cultivo do Chi Qi Gong. Arnakin (Vader) depois alcançaria este estagio de evolução após ter se redimido (limpado seu Karma).

Yoda fala sobre o retorno de Qui Gon Jinn e sobre seu novo conhecimento sobre a Força o alcance da imortalidade do corpo energético.



No video acima vemos os corpos Jinas de Yoda Obiwan  Anarkin e Qui Gonn Jin


Obiwan interagindo em estado de Jinas com Luke

Os Jedi possuem dons como poder de manipular mentes, domínio sobre a gravidade, sobre fenômenos elétricos, podem curar doando energia e se comunicam mentalmente, tem uma sensibilidade e acuidade apuradas, uma forte intuição para sentirem os campos da força, podem até ver o futuro e entender os desdobramentos de diversas ações nas dimensões do tempo.






Isso também é cultivado em artes marciais esotéricas antigas e tradicionais, poderes da mente e fenômenos eletromagnéticos são obtidos com treinamento severo em Taichi Chuam (principalmente o treinado em Wudang e Taikyoku Ken) o domínio sobre o corpo e a mente foi criado por Bodhidharma e legado aos monges Shaolin da China, o poder do som estuda no Kiaijutsu pode matar ou desacordar um oponente, o Toate Jutsu é um antigo conhecimento dos mestres de Kenjutsu e Iaijutsu, um ultra som capaz de matar um oponente, Yagyu Jubei, um grande samurai do século XVII era capaz de matar um pássaro com um grito inaudível aos ouvidos humanos.  A disciplina dos Samurais e dos monges guerreiros do Japão os Sohei são muito similares ao conceito dos Jedi e Lorde Sith,





Em Qi gong vemos alguns mestres chegar a níveis de dominio do Uso do Chi que extrapolam o dominio do corpo físico e suas limitações



Mestre John Chang um famoso mestre de Qi Gon e Taichi da Indonesia tem um poder elétrico e de manipular o calor do fogo com as mãos.

os ninjas também doaram forte influencia aos personagens Sith como vemos no caso de Darth Maul.



Outra inspiração de Darth Maul é na criatura mística chamado Hannya.





O Ator/Duble que interpreta Dart Maul, o britânico Ray Park  era campeão de Wushu e Kung fu Shaolin do norte, praticou ginástica olímpica e esgrima, ele fez todas as cenas de acrobacias e coreografias de luta com os Atores em Ameaça Fantasma.

O imperador Palpatine é um mestre maquiavélico, um mestre do uso da estratégia, sua busca também é a imortalidade mas não espiritual, ele faz uso do poder da ciência (clonagem) para manter-se vivo, ele faz uso do domínio pela força onde comanda milhares de sistemas planetários deturpando a política e manipulando a republica até transformá-la em um império. Qualquer semelhança com os Grupos Illuminatis e de sociedades Secretas obscuras como Skull and Bones e outros grupos econômicos como G8, Bilderberg e demais coisas estranham que habitam as sombras de nossa sociedade mas agem em nome de manter a paz, a ordem, mesmo que para isso tenham que causar o caos, então uma guerrinha mundial aqui, outra ali, nosso exércitos são constituídos de jovens sem instrução, com no máximo 21 anos de idade, sem experiência na vida, na maioria com interesse em conseguir um Greencard, uma cidadania em um determinado país, ícone da terra das oportunidades, então para isso, basta doar seu sangue e juventude, com isso  limpamos o mundo de excesso de população e fluxo imigratório, vendemos armas estimulando a industria pois, depois de tudo destruído, temos de reconstruir, então ganhamos sempre...Isso é uma simplificação do pensamento e ação complexa destes seguimentos mas pode ser bem sintetizado na figura de Palpatine e da Ordem Sith. Ordem oriunda do Caos.

Vemos isso ainda constantemente em nosso mundo onde temos Super potencias Econômicas e Militares que falam sobre democracia e direitos humanos mas manipulam os eventos para favorecer sua real intenção de dominação imperialista oculta em suas ações a massa das pessoas que assistem a tudo de forma passiva e foram condicionadas a cuidarem de suas vidas como indivíduos, esse é o segredo de nossa sociedade atual; Somos indivíduos que foram assimilados com métodos de dominação em massa e que foram condicionados a acharem que agem e pensam individualmente!
Podemos dizer que a Ordem Jedi é um consenso criado pelo Povo para sua proteção e não são donos Verdade são meros Guardiões, figuras que representam a lembrança de se buscar o Equilíbrio e Harmonia em nossas atitudes ,já a Ordem Sith representa o poder do Estado Totalitarista. Ele começa escondido, nas sombras do Nacionalismo e Dominação Social e Econômica, ele se infiltra em todos os seguimentos da Sociedade, Mídia, Bancos, Industria (na saga Star Wars é a Federação de Comercio que promove a Guerra Separatista), instituições policiais, políticas e militares, instituições de Ensino Privado e do Estado, instituições Religiosas e finalmente Instituições Cientificas, nada escapa ao Olho da Ordem Sith.





Ataque de avião robo predator drone na Guerra do iraque
Como se defender de um inimigo robotizado? Isso é justo?

É interessante este conflito ciência X magia em um mundo como o de Star Wars cheio de tecnologia, Hans solo ao observar Obiwan ensinar os primeiros movimentos com o sabre de Luz a Luke diz “Não confio muito nestas velharias, confio mais em minha pistola de raios”.





Já Obiwan diz uma bela frase ao mostrar um Sabre de Luz a Luke pela primeira vez em Tatooine “É uma arma elegante, para outros tempos, mais civilizados”.







Aqui vemos as cenas de ObiWan e de Vader disciplinando o comadante da Estrela da Morte com a força.

Para o Jedi o sabre de luz é o reflexo de sua alma, para os guerreiros como os Samurais, Shaolin, Wudang, Sohei, ninjas e Cavaleiros Templários, idem. Este contraste de crenças entre Solo e Obiwan demonstra como o enfoque, a abordagem pode levar a níveis de consciência maiores, Han Solo diz que em suas viagens pela Galáxia nunca encontrou nada sobrenatural como a “Força”, que tudo isso é bobagem, ele acredita na realidade, aqui vemos o cidadão comum, envolto nos seus problemas do dia a dia, preocupado com a sobrevivência de cada dia e que nunca teve tempo para reflexões filosóficas do universo.
Em outra cena de Uma nova Esperança, em uma reunião dentro da Estrela da morte o Comandante das forças Imperiais diz a Vader que sua fé em feitiçarias e velhas crenças estão ultrapassadas pela Tecnologia que eles criaram como sendo a arma final, Vader responde que sua falta de fé o deixa desapontado e com um simples gesto começa a estrangulá-lo com o poder da força sem tocar em seu corpo.
Um confronto que mostra este contraste é em Império Contra Ataca onde Han solo fica cara a cara com Vader, que esta sentado em uma mesa tranquilamente, Han saca sua arma e dispara varias vezes, Vader detém os disparos com as mãos nuas e retira a pistola das mãos de Han solo com o poder magnético da Força, ou seja o poder serviu como campo de força magnética e depois como raio de atração Magnética.





Este poder é facilmente observado em Taichi, Qi Gong e na Camisa de Ferro dos monges Shaolin onde ficam com o corpo fortalecido contra perfurações e contusões.
Já Yoda e Obiwan protagonizam uma cena de belo ensinamento em A Guerra dos Clones onde Obiwan afirma ter perdido um planeta que não consta nos registros do sistema da Ordem Jedi, Yoda pede as crianças Padawan (pequenos aprendizes) que demonstrem a sabedoria Obiwan dizendo, o planeta foi simplesmente apagado do sistema mestre Obiwan, mas veja, basta olhar este campo gravitacional aqui que você encontrará o que procura. Ou seja, a ciência com enfoque correto é Sabedoria.





Yoda e Luke também protagonizam uma das mais belas cenas da Saga em O império Contra Ataca onde Yoda pede a Luke para erguer sua nave caída no pântano com o poder da Força, Luke tenta várias vezes e diz que é impossível e da às costas para seu mestre, Mestre Yoda tranqüiliza sua mente busca uma forte conexão coma a Força e faz o ato que Luke disse ser “impossível” tirando a nave do pântano com o poder de sua mente, ele diz, “Não tente faça! a Força responderá a sua fé, outra perola de sua sabedoria é você se engana com meu tamanho em aparência, pois forte eu sou através da força, sinto-a crescer no universo e em mim!




Os Jedi e Sith possuem em sexto sentido que os faz prever acontecimentos quando estão em ação por isso conseguem desviar de raios, apará-los com seu Sabre de Luz, pular no meio do nada e serem resgatados por alguma nave que estava para passar por ali, é a presciência e sincronicidade ocorrendo em tempo real.
Meus Mestres de artes marciais eram de baixa estatura, geralmente com menos de 1,60 m de altura, muitos não pesavam 65 Kilos, mas tinham uma força hercúlea, alta sensibilidade para prever ataques eu aprendi a arte do Haragei e do Kando, o uso das percepções extra sensoriais, o sexto sentido vital para nos movimentarmos diante da batalha. O criador do Aikido, Mestre Morihei Ueshiba foi a Guerra e entrou em ação na Mongólia e Manchúria, varias vezes sua Habilidade de prever ataques e desviar de balas e tiros salvaram sua vida e de seus companheiros que relataram como sobreviveram, Ueshiba afirma anos depois em uma entrevista a Stalin Pranin que conseguia ver os pensamentos das pessoas que queriam feri-lo, isso se chama Saki, captar o desejo de sangue, o desejo de ferir do oponente. A arte do Haragei é cultivada em Artes como O Kenjutsu , Iai e Batto, Kyudo e Naginata, alguns estilos bem tradicionais de Karate e Jujutsu também o cultivam, o Aikijujutsu e até mesmo a Cerimonia do Chá o Sado e a arte da Caligrafia Shodo que são disciplinas que não tem movimentos marciais aparentes também o cultivam. Para desenvolver nossas habilidades sensitivas, as artes marciais tradicionais usam treinamento estratégico guerreiro em conjunto com treinamento em artes da paz, a figura de Miyamoto Musashi é um bom exemplo disso, uma pessoa que começou a vida guerreira como um troglodita e foi cada vez mais conhecendo mestres e pessoas que o foram ensinando a buscar um alto refinamento de ser, Musashi lutou em variais Guerras como soldado ou Comandante, era famoso estrategista, escreveu um tratado de estratégia que até hoje, quase 300 anos depois ainda é usado por altos executivos do mundo todo. Musashi dominou varias artes marciais e da paz, era construtor, paisagista, pintor, calígrafo, poeta, musico, dramaturgo, agricultor, guerreiro, e tudo mais que ele quis estudar e dedicar-se musashi dizia Veja o Caminho em tudo! E em Star wars não poderia faltar Nito (duas espadas).
A partir da nova trilogia as coreografias de luta voltaram-se mais para uma mescla de movimentos marciais com bastante influencia do Wushu nos giros, saltos e floreios com os Sabres, no episodio Guerra dos Clones, vemos Arnakin utilizar posturas como Jodan, e luta com dois sabres (Nito) como vemos nos duelos contra o conde Dooku e contra General Gravius.





Yoda Arnakin e Obi Wan contra o conde Dooku


Batto Jutsu e Iaido em Star Wars:
A cena do bar onde Obiwan corta o braço de um ET que havia resolvido atacar Luke é nitidamente um ataque de Batto jutsu, sacar rápido e liquidar o oponente antes que ele possa reagir, depois vemos Obiwan em Zanshin, alerta para qualquer outro ataque, quando a ação termina o mesmo faz seu noto recolhendo a energia do sabre o guardando e sai educadamente do local.







Eu escolhi esta versão com a Musica do Jurney uma emoção a mais na cena

 Qui Gon Jin também utiliza o Iaijutsu na batalha de Naboo, em uma cena interessante ele ataca em nukitsuke e recoloca o sabre de luz no seu cinto como se o estivesse embainhando. Outra cena de nítida inspiração nas artes marciais e sua filosofia esotérica está no duelo de Qui Gon Jin e Darth Maul, após Qui Gon Jin ser separado de Darth Maul por uma parede de campo de força, ele senta-se tranquilamente e começa a meditar enquanto espera para combater, já Darth Mauf fica andando como uma fera em uma jaula.







Duelo entre Darth Moul Qui gon Jinn e Obiwan

Os Jedi usam o domínio das emoções, algo muito próximo do asceticismo Taoísta, do Zen e da Filosofia Estóica da Grécia Antiga. Os Sith usam a exploração da explosão das emoções, eles captam a força do desejo, da raiva, da adrenalina, da tecnologia para o domínio dos povos (estrela da morte).
Os Jedi buscam uma comunicação com a natureza da força, uma parceria, um harmonia, o conceito de Aiki criado por Morihei Ueshiba traduz bem este sentimento do Guerreiro Sagrado.
Os Sith também tem influencia dos Samurais assim como dos ninjas, o credo e ação Sith tem muito haver com o texto Hagakure escrito no século XVII por Yamamoto Tsunetomo, a palavra japonesa Hagakure significa “Oculto entre as Folhas”, sua abertura diz “Descobri que o Caminho do Samurai é a morte, se um Samurai tiver de escolher entre viver e morrer, ele deve escolher a morte”. Isso nos mostra uma postura radical de existência, de servir a seu mestre sem questioná-lo jamais, mesmo que ele pratique o mal. A obediência cega e total submissão era sempre exigida para que não se obtivesse graus de elevada consciência. O Fanatismo era muito comum entre clãs e senhores feudais da antiguidade japonesa. Vemos um resquício desta mentalidade fanática na Segunda Guerra Mundial onde o Exercito Imperial japonês foi brutalmente doutrinado a Servir ao Imperador sem questionamentos com total servidão, o resultado disso; Vergonhosos Massacres de Civis como na China e indonésia entre outras atrocidades cometidas por ideais reacionários de Japoneses, Nazistas, Fascistas e outros grupos similares.

A prática do Seppuku, do harakiri tem seus fundamentos em parte a este costume de total submissão e vassalagem.
Os Jedi também acreditam em obediência e hierarquia, mas a demonstram por afeto a seu mestre assim como seu mestre a obtém por amor e dedicação. Este tipo de sentimento livremente dado que envolve cumplicidade, afeto, lealdade, honra é chamado de Ai (Amor, união, estado de conexão).
Darth Maul utiliza no episodio Ameaça Fantasma, um sabre duplo onde mistura técnicas de bastão do Wushu  e uso do Naginata japonês sua manobras e saltos em esquivas são nitidamente oriundas do Wushu Chinês.
As vestimentas dos Jedi e dos Darth são inspiradas em Kimonos, vemos isso também no personagem da Rainha Amigdala e Padmé.
Ambas as Ordens a Jedi e a Sith são regidas por um Código não escrito passado de mestre para Discípulo como o Bushido e o Budo japonês:



Credo Jedi


Não há emoção, há paz

Não há ignorância, há conhecimento

Não há paixão, há serenidade

Não há caos, há harmonia

Não há a morte, há a Força!


Credo Sith


Paz é uma mentira, só existe paixão.


Através da paixão, ganho força.


Através da força, eu ganho poder.


Através do poder, eu ganho a vitória.


Através da vitória, minhas correntes são quebradas.


A força me libertará.

Os Jedi buscam uma conexão, uma harmonia com a força este mesmo ideal é buscado pelas Artes Internas (Aikido, Tai Chi, I Chuam, Wing Chung, Iai, Nei Chia, Pakua, Shaolin etc), uma busca para o despertar do Ki/Chi, da espiritualidade, mediunidade avançada e perfeita, é uma busca pelo agir naturalmente equilibrado e harmônico, pela vivencia da filosofia e Consciência Divina desperta.
Os Sith buscam dominar a força, buscam submetê-la a sua vontade e prazer. Vemos um forte paralelo com a atual prática dos esportes marciais de competição (todos sem exceção) que são distorções modernas do Caminho Sagrado, onde vemos força bruta e violência sem sabedoria e filosofia. Então artes nobres como o Kendo, Iaido, Kung Fu, Tai Chi, Judo, Jiujutsu, Karate e outros tantos Caminhos, foram modificadas, podadas e depois adulteradas para tornaram-se meras ferramentas de promover o Ego, o resultado são brigas, partidos políticos em Federações, dissidências, violência nas ruas, uso de drogas e estimulantes, como vemos nos filmes e nas trilogias escritas como quadrinhos assim como nas séries de desenhos animados, os Sith fazem uso da competição entre si para subirem na hierarquia sendo que discípulo procura matar seu mestre para adquirir seus poderes.












Os poderes Jedi interagem com a Força, o Jedi busca se harmonizar com o universo vemos isso também nas artes internas como o Taikyoku Ken e Iaido, no Taichi e na suavidade do Pakua. O Grande mestre de Kashima Shinto ryu  Kamiisumi Iseno Kami dizia “Minha espada está em harmonia com os Céus e a Terra, por isso vivo em paz e não procuro a Guerra”.


Varias vezes meu mestre de Shinto Ryu, sensei Akira Tsukimoto me ensinou que a arte ensinada por ele era para parar a Guerra e a Discórdia entre os Homens, ou seja os verdadeiros Caminhos Marciais conduzem a harmonia e a paz.
Já os Poderes Sith , do contrário do Jedi, visam submeter a Força, obrigam-na a agir de acordo com sua vontade, é como o que vemos nos ringues hoje em dia assim como nas brigas de rua. É um fenômeno atual Jovens combinarem brigas pela internet e depois se agredirem até que os mais fortes fiquem de pé, isso é muito similar a seleção do treinamento brutal Sith.
Então a Ciência, a Magia utilizada por ambas as partes, Jedi e Sith são a mesma, só que tem abordagens totalmente diferentes, usos completamente diferentes, objetivos nitidamente contrários. Isso também vemos nas Artes Marciais e Caminhos Místicos.



Os exércitos regulares também são abordados em Star Wars são os Clones que serviam aos Jedi e Republica e que depois  se transformariam em Tropas Imperiais repressoras, Yoda comenta em Guerra dos Clones que não houve vitória, a guerra chegou para todos nós, ele já estava prevendo o desastre de se ter uma força militar  em grandes proporções, treinada com métodos de produção em massa, tecnologia bélica, treinadas para obedecer  cegamente a qualquer ordem, bastando uma pequena reorientação em suas diretrizes (ordem 66) e o inferno e o estado de terror totalitarista estava instaurado, vemos isso acontecer em nosso País (AI 5) em todas as ditaduras militares do mundo, e também nos ditos baluartes da democracia, as pessoas são severamente reprimidas quando manifestam sua opinião mesmo que de forma pacifica são dispersadas pela ordem pública.


Cena ordem 66 Musica de Pink Floyd

Vemos este desastre entre os Samurais no passado e em nossos Exércitos Modernos que são “tropas para manter a ordem e a paz”. A abordagem Jedi seria diferente, uma força de homens sábios treinados com métodos espirituais, ensinados na sabedoria individual de seus mestres, ensinados a pensar e agir harmoniosamente, evitando a todo o custo o uso da força, mantendo a diplomacia como caminho para harmonia entre as partes, Esta força de paz estaria sujeita a um Alto Conselho de Sábios os quais participam Jedi e Pessoas da Republica com o Senador Organa, ou seja, representantes do povo que tem vida ilibada e deram  provas de serem incorruptíveis.


Uma outra qualidade interessante de guerreiros aparecem em Star Wars, são os Caçadores de Recompensas, os mercenários como Jango Fett e seu filho clonado Boba Fett, eles são a base do novo exercito clone. Jango Fett é um Mandalor, são uma raça de guerreiros rudes e expert em guerrilhas, ele tem diversos recursos e armas especiais letais, age sem lealdade para quem lhe pagar mais, isso é bem similar a figura dos Watari Ninjas, mercenários usados por clãs de samurais e senhores feudais da antiguidade no Japão Feudal que os contratava para serviços de espionagem, terrorismo e assassinato.



Para terminar este tópico quero citar o fato de Star Wars hoje já ter saltado de mera ficção para modelo de comportamento Social, onde já existem nos EUA, Reino Unido, Canada, Australia, Japão e outros países um Credo, uma Religião Jedi chamada Jedaísmo, Baseada na Mitologia e Cultura Jedi de Star Wars, milhares de pessoas hoje tem se declarado seguidores da Jedi Church (Igreja, Templo Jedi) mesmo que só de gozação, mas tem muita gente que leva bem a serio isso, em Londres, um policial moveu uma ação judicial por discriminação por ter sido impedido de ir trabalhar usando seu vestuário Jedi (já que a veste faz parte de sua crença), o mesmo alegou que se ele não pode usar sua roupa Jedi ninguém poderia expressar seus valores ao usar vestimentas diferentes das comumente aceitas no mundo moderno. A Suprema corte Inglesa deu-lhe ganho de causa e ele agora vai trabalhar na polícia vestido de Cavaleiro Jedi.
Link para acessar o site da Igreja Jedi: www.jedichurch.org/
 
O fenômeno também se espalha pelas Academias Jedi (Jedi Gym) locais onde pessoas vão para aprenderem a se tornar Cavaleiros Jedi e naturalmente lá  são lhes ensinados movimentos marciais, mesmo que lúdicos e mal feitos, mas em essência eles buscam aprender algo assim.



Então de alguma forma os Caminhos foram preservados através de se recontar os Antigos Ensinamentos em uma nova linguagem, mantendo viva a chama em nosso espírito
Há muito tempo... Em uma galáxia muito distante...
Thank’s Mr.George Lucas.

Para adquirir filmes tradicionais orientais,  sobre samurais, ninjas  e Akira Kurosawa para saber mais sobre Estilos de Artes Marciais antigas tradicionais aqui relatadas neste artigo, sobre Musashi e adquirir suas Obras de estudo e treinamento Estratégico:
Gasho

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Pratica do Yumi no Michi O Kyudo Kyujutsu do Shinto Ryu Shinken Bujutsu Tsukimoto Ha





 Kyudo Kyujutsu




Não Há seta
nem Arco,
Apenas 
A Extensão do Espírito
 No Vazio
(Sensei Adriano Sojobo)

Sensei Adriano no Dojo do Shinto Ryu localizado Salão imperial Associação Japonesa de Santos (Jean) Eiki Sensei está em concetração em heki sha para seu disparo, a frente vemos o alvo de treino o Mato.



Lembro-me de um treino em Kyudo (de vários que tivemos) onde estavam presentes no Dojo na Associação Yamagata Kenjinkai na Liberdade em São Paulo SP: Eu (Adriano),Yuko, Avany, meu irmão, Helio Watanabe, Ernani, Rosangela, Um norte americano chamado John,  e Anauri. 
Meu irmão estava usando um Do com proteção no peitoral, o sensei pegou o Arco e deu uma flechada no peito de meu irmão e mesmo a seta sendo sem ponta afiada, ela cravou no peitoral do Bogu e doeu muito, ai eu pedi para tentar receber um tiro destes e pufft, recebi um direto em cima do coração, dei cinco passos para traz, Ernani san também sentiu a força do disparo do sensei e Pofft! outro direto no peito. Ficamos todos roxos, Avany san tomou um na coxa também e doeu muito. Ai perguntei para o sensei: - "sensei isso é Kyudo?" e ele respondeu “Não como é conhecido e praticado hoje (ele se referia ao Kyudo Renmei que é moderno), minha forma de Kyudo aprendi de meu Avô" , disse-me o sensei que tinha forte influencia do Ogasawara, pelo que entendo, ele tem influência nos objetivos  técnicos e espirituais, mas a forma de saudação no Shinto Ryu é diferente assim como a  execução de alguns rituais  diferem um pouco. 
A forma de Nobiai , Monomi e Mikomi Nerai são Ogasawara, a pegada antiga em Bico de falcão também, o que dispensa Torikake (pegada) de Yugake (luva), 

Aqui vemos um arco igual ao utilizado por Sensei Adriano e Sensei Akira, um Arco de guerra Shihodake
Repare que o adepto não utiliza luva yugake de Kyudo, isso do ponto de vista de uso real em combate é super importante, pois o Yugake não permite uso da espada ou outra arma



O posicionamento em Ashibumi idem, é firme e os pés diferem um pouco do ângulo atual do Kyudo moderno, mantendo a tradição Ogasawara. O arco após o disparo mesmo quando estamos a pé, permanece na postura Yabusame e não é abaixado, sua ponta de cima (urahazu) é voltada para a direção do Alvo de treino (Mato), depois é feito Reishiki Shagi , um Rei ( reverencia) profundo especial que indica o "total desapego do disparar". 

Aqui vemos a pratica de Yabusame em Cavalo de Madeira, 
repare que o Arqueiro está sem luvas.


Sensei Akira  era sensei de Ogasawara Ryu?

O sensei sabia vários estilos e pesquisava a fundo muitas coisas tanto Japonesas quanto da China e Índia, até mesmo do Ocidente, pois ele acreditava que a Sabedoria é um dom divino Universal legado a todos que a buscarem, nós homens que damos  e geramos denominações e diferenças. Então temos dois enfoques sobre isso, se o enfoque for ele estudou Ogasawara e se graduou com alguém no Ogasawara ou procurou uma representação do estilo, ou qualquer outro tramite e convenção política sobre tal pratica, a resposta é provavelmente não, até por que ele não gostava de se filiar a ninguém, lembro que o Shigin Kai e o Choko Ryu lhe deram os maiores desabores em sua vida familiar e marcial, ele gostava de seguir seu próprio Caminho. 

Sensei Adriano Hanare a libertação da seta, repare que ela atinge o centro do Mato.
Em Shinto Ryu o alvo estão em nosso espírito, nosso coração, atingir o alvo é expressar seu coração espiritual


O sensei Akira entendia de Ogasawara?  
A resposta é sim, entendia muito, pois treinou com seu Avô que era sensei de Ogasawara. Seu Pai também respeitava o Kyudo Renmei moderno, até o praticava, mas não concordava com um aspecto  hoje comumente aceito pela maioria, a Competição, como pode uma arte que em seus mais profundos escritos, tão ligada ao Shintoismo e ao Zen, a filosofia de libertação do Ego, possa estar ligada com a fogueira das vaidades, o Competir..., outro detalhe é que esportes tem regras que dizimam o valor guerreiro de uma arte, já vimos isso acontecer com varias artes marciais. Estilos antigos como o Heki Ryu e outros também competem hoje em dia, mas Sensei Permanecia fiel a seu objetivo, a iluminação, o satori.


Acima vemos um video de um Campeonato de Kyudo Renmei moderno, além de detalhes estéticos próprios da rotina do Kyudo Renmei, o objetivo é competir para obter um resultado na competição, obviamente nem todo mundo ganha, é a mentalidade ocidental de só tem distinção quem é Campeão, esta mentalidade estimulou nossa Sociedade a ser consumista e infelizmente estamos vendo o resultado disto em nosso Planeta hoje. As artes marciais corretamente ensinadas devem estimular a cooperação, a harmonia entre os povos, a elevação do Meijin ( a vitória interior). 

Então, era por isso que sensei preferia cultivar os velhos Caminhos dos mestres antigos, no caso do Arco, era o Ogasawara. 
Outro detalhe é que a pratica com Arco e flecha cumpre os objetivos do ensino do Bujutsu Juhapan (dezoito artes guerreiras) tão importantes no mode de ver de nosso mestre sensei Akira. Existem de acordo com os períodos da história do Japão varias listas das Dezoito Artes Clássicas, nosso mestres estudava todas, aqui em especifico vamos deixar a do período Edo mais utilizada por nosso Dojo para inicio do treinamento de nossos alunos:

弓 Yumi (Arco)
馬 Uma (Equitação)
打毬 Uchimari (adestramento a cavalo)
騎射 Kisha (Arquearia a cavalo)
水馬 Suiba (Natação a cavalo)
水泳 Suiei (Natação)
槍 Yari (Lança)
鎖鎌 Kusarigama (Foice com corrente)
長刀 Naginata (Alabarda)
剣 Ken (Espada)
柔 Jû (Luta de contato, imobilizações)
居合Iai (Técnicas de saque)
捕縄 Hojô (Técnicas de amarrar, de aprisionar com cordas)
鼻捻 Hananeji (Vara férrea usada no nariz do cavalo)
鎧組 Yoroi kumi gumi (Combate com armadura)
手裏剣 Shuriken (Lâminas curtas de arremesso)
石火矢 Ishibiya (arcabuz, canhão menor)
鉄砲 Teppô (Arma de fogo)


Shakiko san (Mariana san) e Sensei Adriano no anexo externo coberto de Kyudo do Shinto Ryu em Santos SP


Como vemos acima o uso do arco Yumi aparece como primeira arma.Históricamente não foi a espada que trouxe a hegemonia de governo aos Yamato ,foi a arquearia , o Yumi, a primeira arma que um Guerreiro deveria saber usar.  
Em em meu caso, aprendi a fazer o Yumi e o Shihodake, um arco de guerra com longa duração de disparo, no caso do Kyudo o Yumi comum após uma seqüencia de 3 a 4 disparos o arco tem de ser colocado para descansar para não quebrar ou perder potência, os arcos que construímos em nosso Dojo em Santos na Forja Sojobo.

Alguns dos  objetivos da pratica do Arco e Flecha em Shinto Ryu  provavelmente diferem dos objetivos da pratica normalmente feita em Dojos de Kyudo modernos no que diz respeito a abordagem de uso do arco e objetivos.
O enfoque principal é Espiritual (samadhi, satori, muga e mushin).  Pratico (do ponto de vista eficiência em uso real, em combate). 

Como vemos nesta antiga foto tirada no inicio do período Meiji 
ha muitas formas de expressão no disparar com Arco na Cultura Japonesa 
não sendo o Renmei Kyudo a unica expressão aceita antes de sua criação.


  • Em Shinto Ryu o Arco é um dos instrumentos para alcançarmos o Mushin;
  • No geral só utilizamos primeiro uma unica seta (uchi Ya), para nos adestrarmos no máximo de eficiência, mas posteriormente usamos otoya e haya;
  • treinamos ambidestro, disparamos pelo lado esquerdo ou pelo lado direito, isso permite se estivermos com algum ferimento em dos braços que não nos permitir puxar a corda.
  • Nossas setas ainda tem nós no bambu, isso faz com que realmente tenhamos de obter o controle perfeito do Arco para atingirmos o Alvo, quem, acerta o alvo, não é o arco ou a seta e sim o Arqueiro.
  • Treinamos vários tipos de posturas de disparo, além do Hasetsu comum; In no sha, Yo no sha, Heki sha, Yama Sha etc.
  • Temos  praticas de disparo em movimento seja o arqueiro  ou seja o alvo em movimento.
  • Temos praticas de troca de tiro entre arqueiros, um disparando contra o outro.
  • temos praticas de atingir pontos vitais e procurar brechas em armaduras e  outros tipos de proteções.
  • Nossas setas tem pontas de treino ou pontas (Yanone) forjadas como l^minas para perfurar armaduras.
Armas utilizadas pelo Shinto ryu (katana, naginata, Yari, Sensu, shurikens, no centro vemos uma seta Watakushi da Coleção de Sensei Adriano que foi dada de presente a seu Amigo e Irmão de Treino sensei Kenjiro do Aizu Ryu. 

  • temos praticas em pé e a Cavalo (Yabusame).
  • Usamos mantralizações (Kiai especiais) nos disparos em cerimoniais para banir espíritos malignos. 
  • Dantai é o treinamento em conjunto, como uma força conjunta, é sincronização entre os Arqueiros, linha de tiro, cadencia, freqüência. 
Yo No sha Shinto Ryu Foto tirada no Kangeiko 2010 vários alunos, Oshiro san (o aluno que esta em pé atrás na foto) esta usando um bodogi dado de presente por Sensei Adriano que pertenceu a Tsukimoto sensei. 


O Objetivo final desta pratica é capacitar nossos alunos no uso da espada contra o Arco, onde um Arqueiro se posiciona disparando setas contra um espadachim que deve ser capaz de defender-se, isso se chama Yadome. 


Eiki sensei (Jean san), Honzan Sensei (Renato san) e Kongou sensei (Claudio san) Shakiko san (Mariana san) ajoelhada a frente de Sensei Adriano .


Sensei Akira ensinava tudo de forma esporádica e sem uma ordem em especifico mas ele fazia questão de explicar tudo bem explicado e dizia que tudo tem um significado profundo em níveis diferentes e que somente quando você tinha acesso a um Densho, você entenderia tudo. No caso dele o Densho era tudo que ele aprendeu, catalogou, investigou, escreveu em seus apontamentos, verificou, modificou quando achou necessário, treinou, treinou e re-treinou, sempre seguindo seu próprio feeling, sua intuição, seu jeito único e próprio de ver as antigas tradições do Shinto Ryu. 

Haken sensei (Rosangela San) em Uchiokoshi e Emily san (11 anos) que esta usando Hankyu (arco pequeno).

O Caminho do Arqueiro é um elemento importante em nosso Dojo, temos um respeito enorme pela espiritualidade desta pratica quer em nosso estilo, quer em outros estilos, quer antigo, quer moderno. 


Como o Kyudo moderno tem milhares de praticantes espalhados pelo mundo e já esta presente aqui em nosso país o Brasil, nosso mestre sensei Akira acreditava que este Caminho já esta por demais assegurado, mas as formas guerreiras antigas, descritas nos antigos manuais de Bujutsu, nos antigos ritos praticados nos templos, praticadas por uma minoria de pessoas ainda interessadas em manter a chama acesa deste Caminho em suas versões mais antigas.

Para nós do Shinto Ryu Shinken Bujutsu Tsukimoto Ha, é um prazer recebermos todos os Irmãos Budokas tanto do Kyudo Renmei como de outras artes marciais, que queiram  ter outra experiência, outro enfoque, tanto em  formas mais antigas de treino , com objetivos reais de uso do Arco ou de outras armas e praticas, não esquecendo o respeito, a integridade e a espiritualidade, no Shinto Ryu Shinken Bujutsu Tsukimoto Ha estudamos a Arte de Parar a Guerra, estão todos convidados em nossos seminários e treinos regulares. 

Gashô 





segunda-feira, 2 de maio de 2011

Artigos Sobre o Shinto Ryu : Organização das Escolas Marciais Antigas do Japão:



Sensei Adriano dando aulas em São Paulo no Fukushima  
a postura é de gyauku te jodan para noto do kata Onin do Shinto Ryu

As escolas  de artes marciais antigas do Japão (Sogo Bujutsu, Bugei) são divididas em duas vertentes principais do ponto de vista de sua criação:
SENRYU - escolas e práticas que nasceram em combate, nas guerras. Neste caso o fundador (KAISHO) geralmente era um guerreiro que após ter sobrevivido a uma série de combates, o mesmo começava e refletir o porque dele ter sobrevivido, porque ele conseguiu vencer seus oponentes, o que lhe deu a devida vantagem, etc.
Após passar longos períodos meditando e ter identificado suas formas e práticas técnicas, este guerreiro, catalogava seus métodos em uma série de pergaminhos (MAKIMONO) e passava então a ensinar a uma série de discípulos (MONJIN). Ele passava a ser considerado e venerado como fundador da escola e seus discípulos diretos formavam o primeiro conselho de mestres (GOKUI), que transmitiria posteriormente, após a morte do mestre, a outros discípulos (JUKUGASHIRA).
Somente os MONJIN tinham acesso aos ensinamentos secretos (HIJUTSU), os novos alunos (NYUMONSHA) passavam anos sendo analisados em vários sentidos até darem provas de total submissão aos preceitos da escola, e desta forma se obter também dos ensinamentos ocultos.
GENRYU - Escolas que nasceram através de uma revelação após seus fundadores passarem um longo período de treinamento austero buscando a iluminação. Neste caso o futuro KAISHO, procurava se isolar, geralmente em uma floresta ou em regiões montanhosas, e passava por um treinamento austero (SHUGYO NO GUEIKO), passando todos os tipos de privações e mortificações (fome, sede, dor, solidão, frio, febre, cansaço, etc), até conseguir obter uma revelação divina (TEN SHIN SHO) geralmente enviada por TENGUS, ou aparições de outras divindades.

Sojobo e Yoshitsune, os Tengus aparecem para lecionar os ensinamentos aos eleitos, espíritos das florestas, elementais, assim é o caminho magista divino da verdade mais profunda e Alquimica do Budo.Nosso Kaisho consagrou Adriano sensei a Sojobo sendo ele seu protetor e mentor espiritual. 


Feito isto tal guerreiro buscava agora testar a eficácia de seus métodos, geralmente em combate através de duelos ou lutas em guerras.
Se ele sobrevivesse, seria um sinal dos deuses de que tais técnicas realmente eram reais, e não simplesmente devaneios de quando ele estava com sua mente debilitada devido as fortes privações pelas quais havia passado em seu treinamento.
Após retornar de sua peregrinação para autenticação de seu método, o mestre então reunia seus ensinamentos em um pergaminho (DENSHO) e aceitava seus primeiros discípulos (MONJIN UCHI DECHI) que então, o denominavam SOKE (verdadeiro tesouro, pérola do conhecimento) ou SHOSEI (aquele que descobriu o caminho). Geralmente o SOKE está vinculado ao sistema de transmissão conhecido como YEMON (de pai para filho). Tal sistema é adotado exclusivamente em algumas escolas, outras optavam pelo sistema GOKUI (uma junta de mestres é eleita para escolher o MONJIN, quem melhor conseguir reunir em sua pessoa todos os preceitos e objetivos da escola entre eles, mesmo que não seja descendente ou parente do fundador).
O sistema GOKUI é o que reúne as melhores condições de sobrevivência de um RYU, para isso basta observarmos as escolas que ainda estão na ativa nos dias de hoje. A maioria delas, optaram por este sistema.
Além de ser mais justo, mais democrático, o sistema GOKUI permite uma analise mais imparcial dos praticantes, deixando que floresçam os melhores talentos para dirigir o RYU.
Já o sistema YEMON só funciona quando com muita sorte o filho ou parente direto do fundador resolve ser o melhor de todos e se dedica com afinco em busca da sabedoria. Uma adaptação do sistema Yemon é a adoção do mestre pelo praticante, é comum uma pessoa receber o sobrenome do mestre formalizando-o como filho do Caminho.
Cada Mestre sabe o que é melhor para sua escola, e será a sua decisão a palavra final. Cabe a nós fazermos cumprir suas determinações.
Para se entrar no JI TORI (portal simbólico, nível de aprendizado), os pretendentes, após estarem aprendendo os OMOTE WAZA (as técnicas básicas) passam por um juramento geralmente de sangue ou com a sua espada e passam a ser chamados de KEPPAN (comprometidos de forma sagrada com a escola).
Aos KEPPAN é dado o direito de penetrar nos ensinamentos ocultos e esotéricos (OKUSHI, HIDEN e KUDEN).
Seu treinamento é feito em segredo, pois eles recebem os princípios URA WAZA, OYA WAZA, OSHIKI WAZA, GUIYAKU WAZA, etc.

Adriano sensei, Anselmo Carlos sensei, Keppan  2º dan 
(recebeu a graduação de sensei Akira e sensei Adriano) Nelson Wagner sensei  e Wagner Bull sensei
Cesar Bassi, Nelson Tahuze, amigos do Takemussu 


O SISTEMA DE GRADUAÇÃO ANTIGO:
KIRI KAMI SHODEN – CORTAR O ESPÍRITO, equivale nos dias de hoje ao SAN DAN.
MOKU ROKU CHUDEN - AQUELE QUE TRILHOU OS SEIS CAMINHOS DO CÉU E DA BESTA FERA. Equivale nos dias de hoje ao grau de ROKU DAN.
JUMON JI OKUDEN - RENASCEU APÓS A CRUCIFICAÇÃO, MORTIFICAÇÃO, E SALTOU MUITO A FRENTE. Equivale ao grau HACHI DAN.
MENKYO KAIDEN - NADA MAIS TEM O PRATICANTE A APRENDER, ESPELHO QUE REFLETE A SABEDORIA, O PRÓPRIO CAMINHO. Equivale ao HANSHI ou JU DAN.
Este sistema ainda é adotado nos dias de hoje em todos os KORYU.

Sensei Adriano sojobo cantando Shigin 
(Uta no michi, o Caminho da Poesia) 

Em nossa Escola nosso Kaicho, nosso mestre sempre manteve estes princípios, seu enfoque sempre foi em nos dar um ensinamento eficaz (a espada funciona do ponto de vista marcial), cultural (bun é a letra para o cultivo da educação, preparo, erudição), a cultura é o objetivo de um povo, sua memória do passado, presente e futuro, para nós no Shinto Ryu Shinken Bujutsu Tsukimoto Ha, isso nos da muita alegria, participarmos de uma cultura tão irmã quanto a japonesa, sem no entanto perdermos nossas raízes Brasileiras e com isso nos elevarmos como cidadãos do Mundo. Filosofia, isso nos proporcionou uma alta espiritualidade, a ligação com o Kami, o estado de estarmos plenos na presença de Deus em nossa existência.

Nosso Kaisho nos ensinou a respeitarmos os Keppans, a protege-los acima de todo custo, é a mais nobre instituição de uma escola, eu fiz meu juramento de Keppan a muitos anos, estavam presentes Ernani sensei e Marcelo sensei (que também juraram ao sensei neste dia) junto com outros alunos da época, foi na Vila Mariana, no Osaka Naniwakai, na presença de vários mestres amigos de meu mestre. 
Ele nos legou um Caminho, uma estrada até o reencontro com a iluminação e reencontro com nossa alma divina (shin tamasu).

Eu particularmente agradeço a Deus  os Keppans que formei, eles são o futuro da Arte, tanto os que estão presentes, como os que estão impossibilitados de estarem no Dojo fisicamente. 
Fui agraciado com nuvens e chuva em minha plantação, sol e vento em minha colheita. 
Problemas, erros de percalço, pedras no Caminho, , brigas, divergências, ações impensadas, tudo isso acontece. 
Mas no fim,  o amor e a amizade verdadeira podem vencer quaisquer obstáculos, todos nós, o que vamos levar no final é isso, não a posição, a pompa ou a Luta, mas sim nossos sentimentos, o que vivemos e o que ainda podemos partilhar
Esse é o verdadeiro tesouro, a Sabedoria do Espelho Refletindo a Luz!


Gasho Sensei, Gasho a todos nossos Amigos e Alunos.

Adriano Sojobo